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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

 


(Exemplo de uma magia mortal)


     Regurgitei o inferno que residia em minha incompreensão , e o ódio se justo ou injusto do ofensor foi apagado , entrei nos sete palácios dos quais mais três , um - de minha origem e essência- , todo mal causado voltou a quem o originou , quando toda luz do que sinto em mim voltou a coexistir , não se toca o mais santo senão convidando-o ao inferno , não existe inferno senão aquele que é recriado pela ausência de si mesmo , deixei ao inimigo as suas egrégoras de um deus inexistente , abandonado em seu ódio e ignorância , nem pensei mais no tolo , nem em perdoá-lo , culpado-me por omissão - mas perdoar a mim mesmo- , só existe um caminho , mas muitos desvios , muitos... Na incompreensão de tantas hipocrisias, matamos o poder da palavra ao prostitui-la em nossas mentiras e mesmo o infantil Deus eterno que visualizamos ou oramos , não é o Deus de nossas ações que oramos em nossas atitudes - único Deus - , esta fórmula derruba , estraçalha , extermina qualquer inimigo... Basta compreender que a atitude e a essência dos sete palácios já são magias , e que a compreensão do que é bem ou mal é restrita a hipocrisia , e que alimentamos tudo aquilo a que nos ligamos e que deixamos morrer de fome a tudo aquilo que abandonamos... Quem diz: "Amar ao próximo como a si mesmo " não compreende que ao não conhecer ou ser o "si" mesmo , somente poderá "amar" ao próximo na visão distorcida que tem do próprio "amor" , ou seja : Não amará , mentirá - na cansada palavra que nunca basta em tantas mentiras - , ame a si mesmo na essência de si mesmo e assim nem os inimigos existirão , pois residirá um átimo da eternidade em si mesmo , em sua própria compreensão , naquilo que é sentido... Obs : Se isto não for compreendido , causa discussões teológicas desnecessárias...
      O tempo define cada um dentro dos seus próprios limites simbólicos , não existe forma para suplantar os acessórios simbólicos senão a modificação da estrutura sensorial , que somente poderá ser modificada com o expurgar da máscara que o representa e o necessário retorno a essencialidade arquetípica , portanto o espírito ao fogo da renovação não é um conceito , ou uma mentira para ser declarada na hipocrisia dos fracos , mas é uma atitude ou um conjunto de atitudes que resultam no benefício de um ângulo de observação , que suplanta sobremaneira , o senso comum... 
    De outra forma , afirma-se que qualquer empreendimento meramente conceitual , tem a resistência declarada , que antecede até mesmo a sua enunciação , a criação das dualidades é o efeito direto das limitações do ser frente aos seus desafios , assim ao afirmar o bem ou o mal , ou o bom e o mau , o céu e inferno , os anjos e diabos e mesmo o deus em esplendor antropomórfico é afirmar o limite do conceito , na inviolável máscara da personalidade ignorante , com um profundo complexo de inferioridade... 
    A conveniente estrutura das religiões somente demonstram as limitações dos seres humanos que outorgadas ao controle de ineptas e imorais instituições , criam e recriam as egrégoras ou vampiros que subtraem o espírito de iniciativa , a essência e a liberdade evolutiva dos seres humanos... 
    O deslocar do foco consciente e a abertura dos canais das essências , tramitam tão somente na liberdade evolutiva dos seres , de todas as suas potencialidades , do sentir pleno em direção a coexistência universal... 
    É o ser humano , uma ideia em qualquer tempo e espaço , que subtraído de suas potencialidades inerentes , volta a reencarnar uma ideia ou sombra , de toda luz que poderia ser ... Por que , ao invés de procurar descobrir-se o ser humano aceita a mentira mais fácil , o fanatismo mais cômodo , o deus para ser consumido em suas ilusórias fraquezas ?


  Luiz Grimaldi

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